Ficou esta maldita sensação de te abraçar, até ser quase incapaz de nos distinguir. Sobrou este inesgotável afecto que sinto por ti, apesar da distância [tão frágil] que me separa dos teus lábios.
Sou talvez demasiadamente disciplinado: noite após noite resisto à vontade de fazer o Caminho que costumava levar-me a ti. Olho para mim: são quatro da madrugada, estou a comer gomas. Os golfinhos azuis raiados de branco são efectivamente saborosos.
Friday, November 20
4:11
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Sunday, October 25
Silêncio
Gostava de parar de pensar, para não pensar em ti. De ser incapaz de desejar, para não te desejar; de não querer, para não querer ter-te. Gostava de parar em ti, para me sentir - como sentia, quando parava em ti. Em vez disso, sinto o silêncio que toma o espaço entre nós. Já devias conhecer-me: respeito todos os silêncios, até o nosso, se é já só isso o que sobra de nós. Adormecerei contigo.
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Saturday, October 24
Monday, August 17
Confissões pontuais
Pouco a pouco tornamo-nos uma parte do que vivemos. Tomam conta de nós os enredos, feitos por quem na sombra conspira contra nós, e a atenção obsessiva ao perigo de não vermos chegar o golpe de uma navalhada cega. Tornei-me no que vivi. Sei-o tão bem como sei que preferia prender-te o cabelo - assim mesmo, bem alto! Não foste uma ilusão, ainda não és. Por isso admito que trocaria de bom grado a existência descolorida, feita de sombras e vazios sentidos, pelo suave odor da tua pele. Infelizmente, ainda não me libertei do que sou. Talvez um dia.
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Confissões
Sunday, August 9
Noites frias
É tarde. Estou cansado. O tempo passa. Ainda não passei a marca dos 263 caracteres. Escrevo sem pensar. Páro e penso. Leio e apago. Volto a escrever. Tem sido assim desde o começo - esta noite, quando não eram ainda dez horas. Pensar no país incomoda-me. Ser políticamente correcto vexa-me. As palavras escolhidas desgastam-me, porque criam a ilusão de ter um medo que ainda não senti. O whisky é uma companhia curiosa. Ao primeiro seca-nos a boca. Ao segundo liberta-nos e ao terceiro... Embriaga-nos! Por isso fiquei-me pelo segundo, muito embora a hipótese de um terceiro me seduza. Atirar na multidão poupando os amigos é uma tarefa difícil, até para mim. Obriga-me ao derradeiro confronto, que evitei durante tanto tempo, para compreender o que temia. É o círculo eternamente repetido das simpatias, aquele mesmo que provoca os silêncios cúmplices ao ponto de perdermos noções básicas, como o Mal e o Bem, para depois nos perdermos a nós próprios, numa teia que nos envolve ao mesmo tempo que nos torna quase intocáveis.
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Noites frias
Monday, June 29
Vingança, agora a quente
Não há vingança que se sirva fria ou quente. Porque a vingança, tal como a corrente, mergulha quem nela se sente - muito menos do que gente - numa maré de frio letal.
Dizem que o amor pode transformar-se em mal. Mal que lhe é igualmente proporcional. Acaba não raramente sendo arremetido, tantas vezes por puro desvario, contra aqueles por quem o amor se sente. É fatal.
Sei tão bem como o tempo passa... O calor sufoca, não é? O frio gela no peito o coração palpitante - quase rebenta! Depois... Depois são os afrontamentos, aquela mistura acre de sabores que sobram na boca, acelerados pelo turbilhão dos pensamentos. Quem és tu? O que fazes aí? Ainda sabes, ou perdeste-te na maré?
Queres vingança? Ah, está então muito bem, que venha ela! Não há nada como morrer mais um bocado nos fios de navalha de quem nos ama assim. Tanto... Que nos odeia e avisa do mal que ainda deseja. Bem vinda a dor, se te liberta!
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Coisas da vida
Não sabia que raio se apoderara dele. Porque razão o corpo parecia teimar em travá-lo, só adiando o combate que acabaria por ser inevitável, fosse qual fosse o desfecho. Sabia bem que na guerra, como nos homens, conta só o Princípio, nada mais. Ao final desse dia pensou: Ainda encontraria em si a força suficiente para uma última carga. Então olhou-se ao espelho, viu a barba que lhe cobria o rosto e achou que lhe ficava muito bem. Lutaria assim. Agarrou no telefone e começou a reunir o exército.
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What Dreams May Come
Thursday, June 18
Feito na Terra
Este é o disco da noite. "Made on Earth", de Hector Zazou. Não tarda muito virá "Breathe", o melhor tema deste disco, mas para já é "Cradle Your Soul" o tema do momento. Zazou morreu, viva Zazou! Não encontro nada no tubo, por isso fica aqui o único caminho para o som (seguir »)
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Conselhos úteis
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